{"id":2123,"date":"2021-09-10T15:08:08","date_gmt":"2021-09-10T18:08:08","guid":{"rendered":"https:\/\/metodorolf.org\/?page_id=2123"},"modified":"2021-09-10T15:08:08","modified_gmt":"2021-09-10T18:08:08","slug":"entrevista-com-ida-rolf","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.metodorolf.org\/?page_id=2123","title":{"rendered":"Ida Rolf entrevista"},"content":{"rendered":"<div id=\"pl-2123\"  class=\"panel-layout\" >\n<div id=\"pg-2123-0\"  class=\"panel-grid panel-no-style\" >\n<div id=\"pgc-2123-0-0\"  class=\"panel-grid-cell\"  data-weight=\"1\" >\n<div id=\"panel-2123-0-0-0\" class=\"so-panel widget widget_text panel-first-child panel-last-child\" data-index=\"0\" data-style=\"{&quot;background&quot;:&quot;#f2f2f2&quot;,&quot;background_image_attachment&quot;:false,&quot;background_display&quot;:&quot;tile&quot;}\" >\n<div class=\"panel-widget-style panel-widget-style-for-2123-0-0-0\" >\n<div class=\"textwidget\">\n<p><strong>Nesta entrevista concedida \u00e0 revista norte-americana Somatics em 1978, a dra. Ida Rolf (1896-1979) fala sobre as origens e o desenvolvimento da Integra\u00e7\u00e3o Estrutural, a arte e a ci\u00eancia de organizar a estrutura corporal humana<\/strong><\/p>\n<p><em><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-2180 alignleft\" src=\"https:\/\/www.metodorolf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/dra_Ida_Rolf-1-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.metodorolf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/dra_Ida_Rolf-1-214x300.jpg 214w, https:\/\/www.metodorolf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/dra_Ida_Rolf-1-731x1024.jpg 731w, https:\/\/www.metodorolf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/dra_Ida_Rolf-1-768x1075.jpg 768w, https:\/\/www.metodorolf.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/dra_Ida_Rolf-1.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/>\u201cCerta tarde veio em casa uma conhecida minha. Falou-me da sobrinha, Ethel, professora de m\u00fasica. Por causa de uma queda grave, perdera o uso da m\u00e3o e do bra\u00e7o direito e tinha problemas tamb\u00e9m com a m\u00e3o esquerda. N\u00e3o podia sequer pentear-se!\u2026 Disse para faz\u00ea-la vir at\u00e9 mim, de modo que eu pudesse dar uma olhada. Quando veio, vi o que eu esperava encontrar: a estrutura do bra\u00e7o e da m\u00e3o direita estava completamente fora de lugar e desorganizada. Depois de alguns encontros, o bra\u00e7o e a m\u00e3o reconquistaram a funcionalidade perdida. Assim, Ethel p\u00f4de finalmente voltar a ensinar m\u00fasica, pentear-se e lavar os pratos. Desde ent\u00e3o, meu trabalho \u00e9 colocar ordem onde existe desordem!\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Somatics<\/strong>: Anos atr\u00e1s, a opini\u00e3o corrente era a de que a senhora fosse europ\u00e9ia. Onde a senhora nasceu, na realidade?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Na cidade de Nova York. Sou nova-iorquina, da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, como todos os meus concidad\u00e3os. Diplomei-me no Barnard College de Nova York e doutorei-me depois na Columbia University, sempre na cidade de Nova York. Foi tamb\u00e9m onde me casei.<\/p>\n<p><strong>Somatics<\/strong>: Em que mat\u00e9ria obteve seu doutorado?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Qu\u00edmica, mais precisamente bioqu\u00edmica, que somente por certo aspecto tem rela\u00e7\u00e3o com a fisiologia!<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Come\u00e7ou a trabalhar logo depois?<\/p>\n<p>I<strong>da Rolf:<\/strong> N\u00e3o, dediquei-me somente \u00e0 aquelas atividades que uma dona de casa como eu, naquele tempo, conseguia encontrar com um pouco de sorte. Na Europa, explodia a primeira guerra mundial. Muitos dos nossos homens j\u00e1 estavam no front, outros estavam em treinamento militar, porque deviam partir, deixando o pr\u00f3prio trabalho. Assim, a ind\u00fastria come\u00e7ou a nos contratar. N\u00e3o sei quantas, naquele per\u00edodo, tiveram a oportunidade de ingressar no mundo do trabalho, mas devo ressaltar o fato de que a guerra representou, para n\u00f3s, mulheres, uma grande ben\u00e7\u00e3o. Foi-nos concedida a oportunidade de trabalhar, de expressar-se e de demonstrar que pod\u00edamos estar \u00e0 altura de qualquer situa\u00e7\u00e3o que se apresentasse.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Qual foi seu primeiro trabalho?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Fui admitida no Instituto Rockfeller (Instituto Rockefeller de Pesquisas M\u00e9dicas, fundado em Nova York em 1901. Hoje, Universidade Rockefeller, dedicada \u00e0 pesquisa e ao ensino superior em ci\u00eancias biom\u00e9dicas) , que se ressentia da falta de pessoal do sexo masculino, requisitado pelo servi\u00e7o militar, para a guerra.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Naquele tempo, a senhora se ocupava de qu\u00edmica org\u00e2nica e inorg\u00e2nica?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf<\/strong>: Qu\u00edmica org\u00e2nica, ou melhor, quimioterapia. Durante meu trabalho em um laborat\u00f3rio do Instituto Rockefeller,tentava-se resolver o problema do Solvivan (marca comercial, sem refer\u00eancias) , de sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o, e do \u201cneosolvisan\u201d. O produto americano revelava-se extremamente t\u00f3xico, enquanto que o alem\u00e3o, que era bom, n\u00e3o era mais encontrado no com\u00e9rcio. Assim, os americanos tentaram colocar no mercado um Solvivan de sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o que, por diversas raz\u00f5es, continuava\u00a0 a manter um alto grau t\u00f3xico. Durante a guerra, parte do trabalho de pesquisa do Instituto Rockefeller foi, ent\u00e3o, conseguir elaborar um produto melhor.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> No seu livro entitulado Rolfing\u00ae (\u00b9) , a senhora come\u00e7a por questionar o conceito e a lei da entropia. Na qualidade de doutora em qu\u00edmica, a senhora estava certamente em condi\u00e7\u00f5es de indicar o modo pelo qual a lei relativa \u00e0 entropia pode adaptar-se ao conceito de Rolfing\u00ae.<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf<\/strong>: Certo, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma d\u00favida! \u00c9 um processo que n\u00e3o necessita de leis f\u00edsicas para ser explicado. N\u00e3o vejo como uma pessoa racional n\u00e3o possa esperar que um corpo estruturalmente equilibrado possua harmonia, ou que possa executar movimentos f\u00edsicos em perfeita sincronia.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Podemos dizer que a for\u00e7a de gravidade \u00e9 considerada, no homem, um elemento positivo, enquanto influi positivamente sobre um corpo estruturalmente equilibrado?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Estou firmemente convicta. Tivemos provas continuamente, durante o nosso trabalho. Depois das sess\u00f5es, muitas pessoas retornam repetindo todas a mesma frase: \u201cN\u00e3o sei o que aconteceu, n\u00e3o consigo compreender. Sinto-me melhor, durmo e me movimento melhor. Sinto-me mais relaxado e tolerante.\u201d Apenas agimos de modo a que esta pessoa pudesse viver em um ambiente amig\u00e1vel, ao inv\u00e9s de hostil.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Depois das dez sess\u00f5es protocolares e uma vez obtido o equil\u00edbrio estrutural, a for\u00e7a de gravidade cria um pressuposto necess\u00e1rio, de tal modo que o corpo continua em seu trabalho de alinhamento?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Certamente, n\u00e3o temos d\u00favida. O corpo mesmo prosseguir\u00e1 sozinho, at\u00e9 onde as leis f\u00edsicas o permitirem.<\/p>\n<p><strong>Somatics<\/strong>: A senhora assegura que considerar a Integra\u00e7\u00e3o Estrutural um sistema est\u00e1tico \u00e9 errado, somente pelo fato de que produz mudan\u00e7as cont\u00ednuas no corpo f\u00edsico, at\u00e9 chegar ao equil\u00edbrio. As mudan\u00e7as s\u00e3o definitivas ou progressivas?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> N\u00e3o resta d\u00favida de que a Integra\u00e7\u00e3o Estrutural n\u00e3o seja mais do que o in\u00edcio de um processo progressivo de mudan\u00e7a f\u00edsica. Isto se pode notar nas pessoas que se submeteram ao tratamento ou, como dizem os amigos, que foram &#8220;rolfadas&#8221;. Existem, certamente, outros sistemas de integra\u00e7\u00e3o estrutural, mas o M\u00e9todo Rolf \u00e9 aquele com o qual h\u00e1 mais oportunidades de entrar em contato &#8211; e que eu tive a sorte, digamos assim, de fazer dele uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Quando come\u00e7ou a afastar-se do \u00e2mbito estrito da qu\u00edmica?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Fui levada pelas circunst\u00e2ncias externas. Meu pai, antes de morrer, permaneceu longo tempo doente. Trabalhava com constru\u00e7\u00e3o civil e algu\u00e9m tinha de se ocupar dos afazeres da fam\u00edlia. Assim deixei a qu\u00edmica para colocar em ordem minhas quest\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p><strong>Somatics<\/strong>: Como se aproximou da id\u00e9ia de Integra\u00e7\u00e3o Estrutural?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> N\u00e3o sei, mas me recordo de haver refletido detidamente sobre o que sucederia ao comportamento humano, se fosse modificada a qu\u00edmica, enquanto viajava de trem pela Europa. A primeira coisa que poderia modificar a qu\u00edmica deveria ser propriamente modificar a f\u00edsica. Disso me lembro, e n\u00e3o sei de onde surgiu esta id\u00e9ia, foi somente um puro acaso.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Estudou ent\u00e3o na Europa?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Sim, estudei na Europa, mas n\u00e3o as minhas primeiras no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. Essas eu as recebi na Am\u00e9rica. Por volta do final dos anos 30, frequentava semanalmente um grupo de yoga em Nyack (vilarejo em Rockland Country) , Nova York. O instrutor se chamava Pierre Bernard (nascido Perry Backer, em Leon, Iowa, 1875 &#8211; 1955) e defendia um pensamento filos\u00f3fico aceito completamente hoje, mas quase desconhecido na \u00e9poca. Americano, de origem irlandesa, Bernard era um instrutor de yoga t\u00e2ntrico. Creio que toda a fam\u00edlia praticasse o tantra. De todo modo, foi levado \u00e0 pr\u00e1tica e, quando chegou \u00e0 idade adulta, dedicou-se completamente ao ensino do yoga t\u00e2ntrico.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Existe alguma proximidade entre a filosofia t\u00e2ntrica e alguns conceitos relativos \u00e0 Integra\u00e7\u00e3o Estrutural?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Certamente. A maior parte das ideias modernas t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com uma pura e genu\u00edna filosofia t\u00e2ntrica, reproduzida na sociedade americana atual.Tamb\u00e9m o conceito de que mente e corpo constituem uma \u00fanica entidade \u00e9 t\u00e2ntrico e n\u00e3o deriva certamente da medicina ocidental.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Que tradi\u00e7\u00f5es a influenciaram inicialmente?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> No passado dediquei-me \u00e0 musica, mas este \u00e9 um cap\u00edtulo encerrado. Minha m\u00e3e esperava que eu me tornasse uma concertista, mas esta n\u00e3o era a minha aspira\u00e7\u00e3o maior. Criei dois filhos e afinal dediquei-me sempre \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Acredita que teria sido mais vantajoso se fosse formada em medicina?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Certamente poderia, mas n\u00e3o o fiz. Tornei-me, ao inv\u00e9s disso, bioqu\u00edmica, por que me foi proposto trabalhar no Istituto Rockefeller. Francamente, devo admitir que a escolha foi ditada pela facilidade maior de obten\u00e7\u00e3o do diploma. \u00c9 bom recordar que viv\u00edamos uma guerra mundial e que os tempos eram muito dif\u00edceis. Estes foram os motivos da escolha.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Quem foi seu primeiro paciente?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Uma professora de m\u00fasica. Certa tarde veio em casa uma conhecida minha. Falou-me da sobrinha, Ethel, professora de m\u00fasica, e sobre o m\u00e9todo que ela utilizava e sobre diversas modalidades de ensino. Havia sempre desejado que meus dois filhos recebessem uma educa\u00e7\u00e3o musical; assim perguntei \u00e0 minha conhecida se era poss\u00edvel obter da sobrinha as li\u00e7\u00f5es de m\u00fasica. \u201cInfelizmente, n\u00e3o\u201d. respondeu-me, \u201cEthel n\u00e3o d\u00e1 mais li\u00e7\u00f5es de piano. Por causa de uma queda (queda em um buraco de uma cal\u00e7ada de Nova York. A professora moveu uma a\u00e7\u00e3o judicial contra a cidade e perdeu. Quando encontrou a dra. Ida Rolf, j\u00e1 havia gasto cerca de 20 mil d\u00f3lares em m\u00e9dicos e medicamentos. Epis\u00f3dio narrado em Ida Rolf fala sobre Rolfing e realidade f\u00edsica, Summus Editorial) grave. Perdeu o uso da m\u00e3o e do bra\u00e7o diretos e ficou problemas tamb\u00e9m na esquerda. N\u00e3o podia sequer pentear-se, lavar pratos; n\u00e3o conseguia fazer mais nada!\u201d Disse de faz\u00ea-la vir at\u00e9 mim, de modo que pudesse dar uma olhada. Quando veio, vi o que eu esperava encontrar: a estrutura do bra\u00e7o e da m\u00e3o direita estava completamente fora de lugar e desorganizada. Depois de alguns encontros, o bra\u00e7o e a m\u00e3o reconquistaram a funcionalidade perdida. Assim Ethel p\u00f4de finalmente voltar a ensinar m\u00fasica, pentear-se e lavar os pratos. Desde ent\u00e3o, o meu trabalho \u00e9 colocar ordem onde existe desordem!<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Que coisa a fez pensar que poderia ajudar Ethel? Porque, daquele momento em diante, a senhora n\u00e3o podia considerar-se uma bioqu\u00edmica, mas uma pessoa que raciocinava em termos de anatomia e estrutura. Tinha talvez estudado anatomia e desenvolvido o conceito de mudan\u00e7a estrutural?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Vou revelar-lhe um segredo! Na minha vida jamais havia estudado anatomia! Somente curando Ethel me dei conta de que, quando um segmento do corpo est\u00e1 fora de lugar, tamb\u00e9m todos os outros est\u00e3o. Assim pensei que, se pudesse obter o respectivo alinhamento, obteria tamb\u00e9m a funcionalidade completa.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> A funcionalidade do bra\u00e7o e da m\u00e3o direita da professora de m\u00fasica foi obtida no espa\u00e7o de apenas uma sess\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> N\u00e3o, certamente! O tratamento durou cerca de tr\u00eas meses e foi interrompido pouco depois com o alistamento dela em um corpo militar feminino; de tal forma que tamb\u00e9m as li\u00e7\u00f5es de m\u00fasica dos meus filhos terminaram.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Existe uma incr\u00edvel diferen\u00e7a entre o trabalho sobre uma parte espec\u00edfica do corpo humano (coisa comum tamb\u00e9m para um cl\u00ednico) e o procedimento por fases, segundo observamos no Rolfing\u00ae. Refiro-me \u00e0s dez sess\u00f5es protocolares, adotadas hoje em todo o mundo. Qual \u00e9 a linha de pensamento que une o trabalho espec\u00edfico sobre uma parte singular do corpo ao conceito de fases progressivas, nas quais o interesse est\u00e1 no corpo enquanto totalidade?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Foi o pr\u00f3prio corpo que me fez compreender isso. \u00c9 tudo o que posso dizer. O corpo fala por si mesmo. Muitos dos meus alunos entendem o que eu quero dizer quando afirmo uma coisa assim. Se, por exemplo, &#8220;rolfamos&#8221; um grupo de dez pessoas durante uma hora, poderemos notar que, depois de um primeiro tratamento, cada uma delas apresentar\u00e1 os mesmos e precisos sintomas: pernas que falham ou ent\u00e3o apresentam uma deambula\u00e7\u00e3o (Em fisioterapia, movimento incorreto pr\u00f3prio do andar). Respondendo \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do rolfista, desde a primeira sess\u00e3o o trabalho de manipula\u00e7\u00e3o desencadeia toda uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as no corpo, impercept\u00edveis a olho nu, mas progressivas. E assim o corpo continuar\u00e1 seu percurso de alinhamento, mesmo depois de conclu\u00eddas as dez sess\u00f5es, at\u00e9 chegar \u00e0 sua estrutura natural. Isto \u00e9 tudo!<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> As mudan\u00e7as continuar\u00e3o at\u00e9 que toda a estrutura corporal chegue ao equil\u00edbrio?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Exatamente! Depois disso, o paciente se sentir\u00e1 tomado de uma renovada sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar geral.<\/p>\n<p><strong>Somatica:<\/strong> Uma pessoa pode ser rolfada novamente depois das dez sess\u00f5es? Recomenda aos seus pacientes repetir as dez sess\u00f5es ou aconselharia algo diferente?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> N\u00e3o se deve repetir as dez sess\u00f5es, pois ao final do processo revela-se de repente algo extraordin\u00e1rio: um corpo novo com problemas novos, que um rolfista esperto estar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de identificar e resolver.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> O processo de Integra\u00e7\u00e3o Estrutural chega talvez a um fim?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> N\u00e3o creio que se possa falar de um fim para a Integra\u00e7\u00e3o Estrutural. Concluir a s\u00e9rie de sess\u00f5es, isto sim, mas somente quando o indiv\u00edduo tiver chegado a uma completa harmonia consigo mesmo e seu ambiente se poder\u00e1 considerar a palavra fim!<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Existem pacientes que n\u00e3o deveriam ser rolfados? Suponho que existam casos para os quais o tratamento deva ser evitado.<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> Sim, existem os casos de risco. S\u00e3o as pessoas com suspeita de c\u00e2ncer, que n\u00f3s evitamos tratar pelo temor de complica\u00e7\u00f5es legais. N\u00e3o creio, de qualquer forma, que se sentiriam melhores; a menos que exista um rolfista corajoso, disposto a trabalhar o corpo deles. Devemos tamb\u00e9m tomar em considera\u00e7\u00e3o os aspectos ligados \u00e0 cultura ocidental moderna. E se o paciente sofresse de uma grave lordose ou de uma forma de artrite? Baseamos o nosso sucesso exatamente sobre esse tipo de problema f\u00edsico!A professora de m\u00fasica tinha uma amiga, que j\u00e1 havia consultado 17 m\u00e9dicos sem chegar a obter um resultado satisfat\u00f3rio. Veio a mim e eu a ajudei. Por sua vez, me mandou uma s\u00e9rie de amigos com seus problemas e assim por diante. Voc\u00ea sabe aonde isso me levou.<\/p>\n<p><strong>Somatics:<\/strong> Tendo conclu\u00eddo o curso b\u00e1sico, um rolfista pode considerar-se completo sobre todos os pontos de vista?<\/p>\n<p><strong>Ida Rolf:<\/strong> N\u00e3o! Isso ele s\u00f3 consegue com o tempo, acumulando experi\u00eancia durante ao menos cinco anos, desde que nesse meio tempo ele comece a trabalhar. Uma vez conclu\u00eddo o curso b\u00e1sico, poder\u00e1 iniciar sua pr\u00e1tica, a partir dos amigos mais pr\u00f3ximos, para depois ampliar o c\u00edrculo. Durante este per\u00edodo, ele acabar\u00e1 por se tornar um indiv\u00edduo muito \u00fatil \u00e0 sociedade. No passado, preocupava-me o fato de que muitos dos jovens rolfistas pudessem terminar o curso sem uma prepara\u00e7\u00e3o adequada. Entretanto, agora estou mais inclinada a pensar que o importante n\u00e3o \u00e9 tanto a prepara\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-pr\u00e1tica, mas a difus\u00e3o da teoria do Rolfing\u00ae no interior da sociedade, atrav\u00e9s do trabalho deles. Deste modo, contribuem para melhorar a sociedade, uma vez que estou firmemente convicta de que, sem essa teoria, nenhum indiv\u00edduo pode ter uma vida melhor. Desde ent\u00e3o durmo um sono tranquilo!<\/p>\n<p>Nota: <em>Rolfing\u00ae \u00e9 marca registrada do Rolf Institute. A vers\u00e3o original da obra Rolfing\u00ae foi publicada em 1979, nos EUA. No Brasil, Rolfing\u00ae , a Integra\u00e7\u00e3o da Estruturas Humanas, recebeu a primeira edi\u00e7\u00e3o em 1990, pela Martins Fontes.<\/em><\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta entrevista concedida \u00e0 revista norte-americana Somatics em 1978, a dra. Ida Rolf (1896-1979) fala sobre as origens e o desenvolvimento da Integra\u00e7\u00e3o Estrutural, a arte e a ci\u00eancia de organizar a estrutura corporal humana \u201cCerta tarde veio em casa uma conhecida minha. Falou-me da sobrinha, Ethel, professora de m\u00fasica. 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