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Categoria — Entrevista com Ida Rolf

Entrevista com Ida Rolf - Parte I

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Dra. Ida Rolf

Em entrevista-documento concedida à revista norte-americana Somatics em 1978, a dra. Ida Rolf fala sobre as origens e o desenvolvolmento da Integração Estrutural, a arte e a ciência de organizar a estrutura corporal humana: “Certa tarde veio em casa uma conhecida minha. Falou-me da sobrinha, Ethel, professora de música. Por causa de uma queda grave, perdera o uso da mão e do braço direito e tinha problemas também com a esquerda. Não podia sequer pentear-se!… Disse para fazê-la vir até mim, de modo que eu pudesse dar uma olhada. Quando veio, vi o que eu esperava encontrar: a estrutura do braço e da mão direita estava completamente fora de lugar e desorganizada. Depois de alguns encontros, o braço e a mão reconquistaram a funcionalidade perdida. Assim, Ethel pôde finalmente voltar a ensinar música, pentear-se e lavar os pratos. Desde então, meu trabalho é colocar ordem onde existe desordem!”

Anos atrás, a opinião corrente era a de que a senhora fosse européia. Onde a senhora nasceu, na realidade?

Na cidade de Nova York. Sou nova-iorquina, da cabeça aos pés, como todos os meus concidadãos. Diplomei-me no Barnard College de Nova York e doutorei-me depois na Columbia University, sempre na cidade de Nova York. Foi também onde me casei.

Em que matéria obteve seu doutorado?

Química, mais precisamente bioquímica, que somente por certo aspecto tem relação com a fisiologia!

Começou a trabalhar logo depois?

Não, dediquei-me somente à aquelas atividades que uma dona de casa como eu, naquele tempo, conseguia encontrar com um pouco de sorte. Na Europa, explodia a primeira guerra mundial. Muitos dos nossos homens já estavam no front, outros estavam em treinamento militar, porque deviam partir, deixando o próprio trabalho. Assim, a indústria começou a nos contratar. Não sei quantas, naquele período, tiveram a oportunidade de ingressar no mundo do trabalho, mas devo ressaltar o fato de que a guerra representou, para nós, mulheres, uma grande benção. Foi-nos concedida a oportunidade de trabalhar, de expressar-se e de demonstrar que podíamos estar à altura de qualquer situação que se apresentasse.

Qual foi seu primeiro trabalho?

Fui admitida no Instituto Rockfeller, que se ressentia da falta de pessoal do sexo masculino, requisitado pelo serviço militar, para a guerra.

Naquele tempo, a senhora se ocupava de química orgânica e inorgânica?

Química orgânica, ou melhor, químioterapia. Durante meu trabalho em um laboratório do Instituto RockefellerInstituto Rockefeller de Pesquisas Médicas, fundado em Nova York em 1901. Hoje, Universidade Rockefeller, dedicada à pesquisa e educação superior em ciências biomédicas., tentava-se resolver o problema do “solvivan”Marca comercial. Produto sem referências. de sua própria producação que, e do “neosolvisan”. O produto americano revelava-se extremamente tóxico, enquanto que o alemão, que era bom, não era mais encontrado no comércio. Assim, os americanos tentaram colocar no mercado um “solvivan” de sua própria producação que, por diversas razões, continuava a manter um alto grau tóxico. Durante a guerra, parte do trabalho de pesquisa do Instituto Rockefeller foi, então, conseguir elaborar um produto melhor.

No seu livro, entitulado RolfingPublicação original em 1977. No Brasil, Rolfing, a Integração das Estruturas Humanas, primeira edição em 1990, pela Martins Fontes., a senhora começa por questionar o conceito e a lei da entropia. Na qualidade de doutora em química, a senhora estava certamente em condições de indicar o modo pelo qual a lei relativa à entropia pode adaptar-se ao conceito de Rolfing.

Certo, não há nenhuma dúvida! É um processo que não necessita de leis físicas para ser explicado. Não vejo como uma pessoa racional não possa esperar que um corpo estruturalmente equilibrado possua harmonia, ou que possa executar movimentos físicos em perfeita sincronia.
Trabalho no joelho

Continua na Parte II

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abril 3, 2008   No Comments