A gravidez é um fato normal da vida da mulher que trás grandes mudanças em seu corpo. Conforme a gestação avança, o peso do bebê modifica a posição da pélvis. Existe uma tendência a acontecer algo que os especialistas chamam de ântero-versão: a parte superior da pélvis, na linha da cintura, inclina-se para a frente, enquanto a parte inferior, na linha do púbis, se desloca para trás. O resultado é chamado de hiperlordose. Se olhamos as costas, vemos a região do osso sacro proeminente, ao mesmo tempo em que a base da lombar, logo acima, está “afundada”. Na verdade, toda a coluna inclina-se para trás, a fim de que o corpo mantenha o equilíbrio, compensando o peso do bebê.
Nos últimos três meses da gravidez, este fato é frequentemente a causa de muitas dores. Andar, sentar-se, manter-se de pé torna-se difícil. Não existe uma posição plenamente confotável que alivie a tensão sobre a base da coluna. Temos em mente a imagem da mulher com as mãos na cintura, tentando aliviar a dor e o desconforto com o auxílio dos braços. Essa tentativa, no entanto, não faz mais do que inclinar a linha da cintura mais ainda, reforçando o deslocamento da parte superior da pélvis para a frente e da parte inferior para trás. Embora produza alívio momentâneo, a tentativa realimenta o processo que está causando a dor e o desconforto.
No Método Rolf, trabalhamos com a mulher deitada em decúbito ventral (barriga para cima), com o centro da pélvis apoiado sobre uma das mãos do terapeuta, colocada em forma de concha. Com a outra mão, fazemos pequenos movimentos nas costas, na linha da cintura, para ajudar a alongar os tecidos. É um trabalho feito com a delicadeza que a gravidez exige. É algo simples, mas que trás um grande alívio. Se o companheiro ou marido da mulher está presente, pode participar do trabalho. Quando isso não é possível, pode ser o ou a acompanhante. Com um pouco de jeito, é possível aprender como ajudar a mulher e repetir o trabalho uma vez por dia. À noite, antes de dormir, é um bom momento para isso.
A mulher pode continuar recebendo essa ajuda mesmo depois do parto. Agora o bebê está frequentemente em seu colo, principalmente na fase de amamentação. Como o peso a ser sustentato está apoiado numa parte mais alta do corpo, a tendência é a coluna curvar-se mais acima, na região dorsal, principalmente se a mulher já tinha “problemas de postura” antes da gravidez. Passada esta fase, se a dor e o desconforto continuam, é recomendável a realização de um trabalho consistente para realinhar a coluna e toda a estrutura corporal.




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