A definição mais usual de tendinite é de inflamação de tendão causada por esforço repetitivo. Entretanto, quando duas pessoas da mesma faixa etária e constituição física semelhante realizam o mesmo trabalho ou exercício, com a mesma intensidade, duração e freqüência de movimentos, uma pode vir a sofrer de tendinite e a outra não.
Observamos assim que a regra do “esforço repetitivo” não é universal. Dessa forma, ao propor o Método Rolf de Integração Estrutural – e especificamente sua técnica de manejo miofascial - para o tratamento da síndrome, começamos por reformular a definição usual, ao afirmar que tendinite resulta não propriamente de esforço repetitivo, mas da maneira como o esforço repetitivo é realizado.
Afirmamos também que o tratamento da síndrome é simples, com exceção dos casos em que o prejuízo sofrido pelos tecidos avançou demasiado. Na sua grande maioria, poucas sessões específicas são suficientes para a eliminação total da dor e a recuperação completa dos movimentos. Uma perspectiva de longo prazo impõe, todavia, o trabalho de integração de toda a estrutura corporal.
Nova perspectiva
Vamos mudar então a regra do esforço repetitivo para outra, mais abrangente, e capaz de explicar, se não todos, pelo menos a grande maioria dos casos. Tendinite é o resultado (inflamação) de um processo de transformação físicoquímica do tecido conjuntivo, que forma o tendão, em consequência de movimento repetitivo realizado sob tensão muscular crônica.
Afirmamos que o problema surge quando a musculatura envolvida na ação repetitiva mantém-se contraída, de forma inconsciente, durante e após cada ciclo de movimento. Visto o problema desse ângulo, temos de aceitar que somente o movimento é repetitivo, ao passo que o esforço é na verdade crônico ou permanente: a musculatura continua em trabalho mesmo durante os intervalos entre os movimentos, quando deveria relaxar e entrar em repouso.
O que determina a tensão crônica da musculatura é o conflito entre duas forças opostas e simultâneas que lutam - uma para realizar (força consciente) e outra para negar (força inconsciente) o mesmo movimento, no mesmo indivíduo. Nessa condição o movimento acaba sendo realizado, mas com sobrecarga. Dito de outra forma, o esforço total empregado na ação resulta da soma do trabalho necessário à realização do movimento propriamente dito com o esforço inconsciente usado para negar a ação.
O fator decisivo que garante a recorrência da força negativa inconsciente, embora em sua origem seja psíquico, é físco. Especificamente: é o tecido conjuntivo modificado.
A sobrecarga ou o excedente de energia aplicado de forma contínua sobre o tendão modifica os tecidos do ponto de vista físicoquímico, prejudica seu metabolismo, reduzindo a circulação dos fluidos, produz o estresse das fibras e afinal causa a inflamação do tendão ou dos tendões correspondentes aos músculos envolvidos na realização do movimento. A inflamação exprime a solução encontrada pelo organismo para o estado crônico de conflito.
A inflamação — cuja dor impõe a paralisação do movimento — nada mais é assim do que uma defesa do organismo contra uma ação que não respeita o ciclo trabalho/repouso que regula o funcionamento do corpo humano. No modo natural de funcionamento, todo movimento (esforço) é seguido do relaxamento da musculatura - relaxamento que encerra e abre outro ciclo de ação. A fórmula do funcionamento natural é tensão/relaxamento ou contração/expansão da musculatura.
Tratamento
Podemos agora concluir que a terapia da tendinite precisa ter por objetivo final propiciar a recuperação do modo natural de funcionamento do corpo, a começar pelo segmento atingido, mas de preferência incluindo sua totalidade . Do contrário, terá efeito apenas temporário, quando não inteiramente ineficaz.
Para atingir esse objetivo, é necessário atender às seguintes condições: (1) recuperação da elasticidade e flexibilidade dos tecidos que envolvem os músculos e formam os tendões, (2) reeducação do movimento local e (3) integração funcional do segmento acometido pela síndrome com a totalidade do corpo. Essas condições são melhor atendidas quando trabalhadas simultaneamente.
Quanto à técnica, deve ir além daquela empregada habitualmente no trabalho de integração estrutural, no Método Rolf. Não basta a aplicação de energia mecânica sobre as camadas de fáscia. É necessário uma ação mais minuciosa, quase fibra por fibra, com atenção especial ao local preciso das inserções do tecido mole nos ossos. Esse é o caso típico de tendinite do supraescapular e do glúteo.
Vários dos textos sobre o assunto (LER ou DORT) propõem, sem muita firmeza, a relação da tendinite com o aspecto psicológico. Na abordagem integrativa que adotamos, os aspectos somático e psicológico são tratados como dois lados da mesma moeda. O problema físico é a manifestação do conflito psicológico entre afirmar e negar uma ação e o conflito psicológico por sua vez é alimentado e reproduzido pelo problema físico – um ciclo vicioso que precisa ser rompido.
A terapia da tendinite envolve também assim o “desmascaramento” da força negativa inconsciente e a descoberta da possibilidade de superá-la enquanto algo contrário à realização do trabalho desejado.


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André
Sou de Santos, gostaria de saber se vocês podem indicar alguém que aplique esta técnica de relaxamento na minha cidade.
24 de outubro de 2008
Comentário para “Tendinite: uma visão sistêmica”