tornozelo

Podemos evitar o contato com a realidade física, não importa o motivo, mas não com os pés. Os pés estão sempre em contato com o chão. Em Rolf, depois da primeira sessão, quando tratamos de facilitar a função respiratória, logo na segunda trabalhamos os pés. O incremento de energia obtido na abertura do processo precisa logo ganhar uma base de sustentação mais apropriada, palavra que aqui, além de significar “adequada”, indica também “estar na posse”.

Se não pode ser evitado, observamos que frequentemente o contato dos pés com o solo está empobrecido pela redução do movimento nos tornozelos. Com a articulação limitada, os pés tendem a formar um bloco único com os ossos das pernas (tíbia e fíbula). Perdem sensibilidade, perdem a capacidade de se ajustar aos desníveis do terreno e deixam de funcionar como amortecedores que transmitem o peso do corpo para o chão.  Os tornozelos, por sua vez, tornam-se fracos e suscetíveis a acidentes.

O aspecto externo também muda. Os tornozelos incham, a pele em torno deles escurece e os vasos sanguíneos começam a acusar sofrimento, produzindo uma sensação de desconforto e mal-estar. Nessa condição, o metabolismo celular é modificado. Em consequência, os pés passam a exalar um odor típico e desagradável. E como a região se torna um lugar estranho, como se de fato não pertencesse ao corpo e se transformasse numa espécie de acessório, até mesmo a higiene fica prejudicada.

Naturalmente isso não acontece de uma hora para outra. É um processo que se vai instalando aos poucos, ao longo da vida. Implica uma perda de contato progressiva com o ambiente. O chão é o que nos une a todos, objetivamente. Sem um contato efetivo e completo com o solo, dificilmente poderemos falar de contatos afetivos satisfatórios.  Se empobrecemos o contato com o chão, se perdemos o sentido de unidade com o solo que nos sustenta, perdemos também o nosso contato interno e com o outro.

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Publicado em 5 de junho de 2008 ás 16:16.
Categorias: movimento.

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Comentário para “O contato com o mundo começa nos pés”