Ao tragar, o fumante retém a fumaça do cigarro nos pulmões durante alguns segundos, antes de expirar. Essa parada no fluxo normal do movimento respiratório é obtida pela contração da musculatura da garganta e dos brônquios. Funciona como uma válvula que se fecha e abre novamente, para só então expelir a fumaça. Mas a contração, que inclui outros músculos respiratórios, nunca cede totalmente. O peito permanece inflado e o diafragma rebaixado - em estado de inspiração. A caixa toráxica é frequentemente rígida e por isso a tendência é o movimento respiratório limitar-se à região do abdômem. E por causa desse mecanismo inconsciente, mesmo quando expira o fumante mantém os pulmões parcialmente cheios (cheios do que?), ao mesmo tempo em que sofre da sensação de que lhe falta o ar. Tenta resolver o problema com nova tragada e outro cigarro. Um ciclo vicioso mortal.

No Método Rolf o fumante descobre que pode respirar sem o artifício do cigarro. A primeira sessão frequentemente produz uma experiência subjetiva de alívio e libertação. Isso acontece porque o revestimento externo de tecido conjuntivo (a fáscia superficial, logo abaixo da pele), que envolve o tórax, alarga-se e alonga-se, permitindo o movimento respiratório mais amplo. Essa é a experiência imediata. Mas o mecanismo de reter momentaneamente o ar nos pulmões antes da expiração continua presente. O padrão não mudou e, antes mesmo que a sessão termine, o desejo de fumar pode estar de volta.

Acho que vale a pena insistir: o fumante respira da mesma forma que fuma e vice-versa. Ele nunca consegue esvaziar os pulmões suficientemente - e sente falta daquilo que ele retém (não solta). O peito não desce, não se entrega, não se deixa esvaziar. Existe um mecanismo inconsciente que o impede. O fumante não sabe dizer o que aconteceria se apenas deixasse o ar sair dos pulmões. Ele precisa prender o ar antes de soltá-lo parcialmente. Para expirar mais profundamente necessita fazer esforço, mas o esforço sempre é empregado para tentar encher mais os pulmões, na inspiração. Comporta-se como alguém que está se afogando e pede um copo de água para matar a sede. Evidentemente, o que ele mata não é a sede de respirar.

Além do trabalho usual realizado numa sessão de Rolf, é possivel fazer algo mais para desarmar o mescanismo. Nessas circunstâncias, podemos propor um “exercício”. Pedimos para o cliente bloquear o movimento respiratório por alguns instantes, mas somente depois de expirar, invertendo assim o que ele costuma fazer inconscientemente. “Só inspire de novo quando sentir fome de ar”, argumento. Nesse ponto explico que ele pode expirar imediatamente após a inspiração, sem nehum intervalo, deixando o peito descer e, novamente na posição expirada, segurar a respiração outra vez. O ciclo é repetido e então peço ao cliente para respirar normalmente. A caixa toráxica faz então um movimento amplo e a respiração é mais profunda. Algumas pessoas sentem como se estivessem de fato respirando livremente pela primeira vez na vida.

O mecanismo que bloqueia o movimento respiratório antes da expiração, típico dos fumantes, está presente também em não-fumantes. A rigor, caracteriza e constitui a fonte somática dos estados crônicos de ansiedade, segundo minha obervação. E são vários os fatores que, na história do indivíduo, contribuem para a sua instalação. Mas talvez o ato de controlar o choro, aprendido na infância, seja o mais comum, o que nos levaria à conclusão surpreendente de que o fumante fuma para não chorar.

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Publicado em 15 de maio de 2008 ás 13:14.
Categorias: respiração.

1 comentário. Comente você mesmo ou faça Ping.

  1. wimer bottura jr

    AË QUE ENFIM ENCONTREI ALGUËM QUE ALGUMA COISA DE VERDEIRO SOBRE O VERDEIRO MOTIVO DA DEPENDÊNCIA DO CIGARRO.
    CHEGA DE REMÉDIOS INÚTEIS, SELOS E GOMAS DE MASCAR.
    RESPIRAR É UM PASSO IMPORTANTE.

Comentário para “O padrão respiratório dos fumantes”